Comunicação “interna” para quê?

Quanto mais o empreendedor se comunica e transmite a essência do negócio aos funcionários maior será o empoderamento para inovação.

Depois de atender quase 30 empresas de tecnologia e startups, educação, agronegócios, recursos humanos, entre outras, notei que essas empresas eram mais carentes de comunicação interna do que externa. Entendi que quando a comunicação dos empresários ou gestores de pequenas e médias empresas com os demais funcionários/colaboradores/empregados não flui verdadeiramente, o que está na cabeça, no mundo ideal e fantástico dos empreendedores não vai chegar com a mesma intensidade no âmago dos empregados. Alguns sintomas negativos aparecem (como ausência de propósito e engajamento), e o ruído na comunicação pode se transformar em crise.

Nos processos de assessoria de imprensa, por exemplo, muitos conteúdos de qualidade produzidos e divulgados estão diretamente ligados às estratégias de negócios da empresa e sobre os casos de sucesso obtidos entre clientes, porém apenas um pequeno grupo tem acesso a elas.

Se a informação estratégica não circula verticalmente, isolando continuamente a base operacional, a alimentação do senso de propósito estará sendo interrompida – às vezes intencionalmente, infelizmente. A consequência é a crescente desinformação sobre o que está acontecendo de bom e transformador (ou não) na empresa, seja com clientes ou em mudanças ou ajustes na visão de negócio – que encontra-se na cabeça do empreendedor, e às vezes, chega aos níveis de diretoria/gerência. O segredo está em educar seus funcionários para serem intraempreendedores.

“Muitas vezes não há maturidade para os funcionários acessarem e trabalharem com essas informações” – podem afirmar empresários. Sinto dizer, mas então você ou contratou profissionais inadequados à cultura da empresa, ou treinou e comunicou de forma ineficiente esses “pupilos”.

As organizações do futuro e sustentáveis precisam ser enxergadas como filhos que precisam de educação contínua, e que entendam o motivo de estarem ali. A razão dos profissionais estarem empregados vai muito além de poderem pagar suas contas. Todos querem fazer parte de algo, pertencerem a uma “tribo”, que as representem de alguma maneira.

Caso contrário, o turnover (índice de desligamento) vai se manter alto, dissipando conhecimentos, ou a inovação vai encontrar uma resistência monstruosa, travando qualquer tipo de modernização para acompanhar a constante (e rápida) evolução do mercado.

Se sua organização não transmite de forma contínua e eficaz informações assertivas sobre onde a empresa deseja chegar, os funcionários devem estar se sentindo perdidos, e constantemente ávidos por um aval (aprovação) ou orientação dos donos/direção, afinal, nada (ou muito pouco) foi compartilhado com eles sobre a visão de longo prazo e mais ‘filosófica’ da empresa.

O que a sua empresa vende de verdade?

Por exemplo, quando vou cortar meus cabelos em um ambiente especializado não estou comprando apenas meus cabelos mais curtos. Compro beleza, bem-estar, confiança. Muitas vezes os donos estão tão mergulhados em processos que se esquecem de transmitir à seus funcionários o que estão vendendo de verdade.

Quando isso acontece os profissionais se perdem na real missão e propósito do negócio. Se esquecem da essência. Com o tempo os resultados são pelo menos queda de clientes e de poder competitivo. Mas calma, é possível reverter a situação – se desejar sinceramente.

Ninguém hoje é contratado para apertar parafuso. Essa época já passou (ainda bem!). É preciso comunicar continuamente e envolver todos de alguma maneira na co-criação de uma nova forma de comunicação. Transmitir em diferentes canais para quê tais tarefas são necessárias. Ninguém pode ser realmente feliz sem uma missão maior, um propósito motivador. E isso custa caro às organizações, que se negam a aceitar essa nova realidade.

Empodere seu funcionário a ser uma célula sua! Faça o teste com processos de comunicação bem estruturados, empodere seus colaboradores, e observe (meça!) os crescentes resultados. Porém essa atitude demanda muito cuidado na seleção inicial e treinamento adequado, para entender o real motivo da sua contratação.

Replico aqui a afirmação (que deu vida ao livro homônimo) Márcio Fernandes, CEO da Elektro, eleita por mais de 6 anos a melhor empresa para se trabalhar no setor elétrico: A felicidade (e o engajamento) dá lucro!

Vivian Lopes é fundadora da V.Content, assessoria de comunicação empresarial focada em inovação e engajamento. Trabalha há  mais de 15 anos com comunicação e produção de conteúdo. Está participando até outubro/17 do projeto do NAGI – Núcleo de Gestão da Inovação, oferecido pela incubadora Gênesis, da PUC Rio, com apoio da FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *