Descubra se a sua empresa está inovando de verdade

Termos como inovação, invenção e descoberta estão cada vez mais populares e são mencionados quase sem crivo diariamente por muitos profissionais e empresas internet afora. Em todos os lugares lemos sobre alguma startup (ou não) que lança determinada inovação aqui e acolá.

Porém, a confusão sobre as diferenças entre inovação, invenção e descoberta pode ser um (grande) entrave para entrar de fato em qualquer processo inovador. Apesar de ser tão mencionado e buscado por cada vez mais empresas, de ramos mais diversos, poucos de verdade já aplicam suas técnicas e processos da forma adequada em seus negócios.

Desmistificar a inovação é preciso

O primeiro passo é ter claro que a descoberta sempre parte de princípios científicos. Traz um processo metódico de investigação e experimentos, que recorre a procedimentos estruturados pela área científica. Ela tem a proposta de encontrar uma resposta para determinado problema já identificado, e validado, por alguma comunidade científica. É algo quase sempre existente na natureza, que não se tinha conhecimento prévio registrado.

Já para ser considerado uma invenção, deve envolver a criação de um produto e uma solução para determinado problema já identificado. É, digamos assim, a consolidação da descoberta científica, em forma de ‘pacote’ ou produto que pode (ou não) ser comercializado. Substantivo feminino (alô mulherada), a invenção trata-se da imaginação produtiva ou criadora, é a ”inteligência se divertindo”.

Entretanto, a invenção, por mais fantástica que seja, nem sempre resulta em um produto viável para o mercado. Isso porque envolve preço de custo e venda, além de maturidade do consumidor. De acordo com o Livro de Rubens Requião, sobre direito comercial e patentes, inventar é dar aplicação prática ou técnica ao princípio científico, no sentido de criar algo novo, aplicável no aperfeiçoamento ou na criação industrial.

Um bom exemplo para uma invenção é o modelo de avião supersônico Concorde. Mais rápido que os demais aviões comerciais e pela altura e velocidade em que operava, praticamente não enfrentava nenhuma turbulência durante seus vôos. Porém o custo total de fabricação e operação desse tipo de aerononave sempre foi muito alto.

Com isso, o interesse comercial no projeto foi reduzido (por motivos diversos e adversos) até que um acidente fatal fez com que a confiabilidade e reputação despencassem junto com as vendas, na contramão do aumento no preço do petróleo. Deixou-se então se operar vôos comerciais com os velozes, poluentes e barulhentos Concordes.

Engana-se quem pensou que o projeto de um avião mais rápido e mais econômico estava abandonado. A startup americana Boom Technologies está trabalhando há alguns anos em uma nova versão do supersônico, com investimentos de gente grande como o bilionário britânico Richard Branson, e conta com parceiros de peso como Honeywell e General Electric – de acordo com nota do portal StartSe.

Atenção assíduos frequentadores de pontes aéreas: em breve ficará mais barato viajar em uma máquina como essa, tornando-o o avião em mais rentável para as companhias aéreas. “Ele é ideal para voos transatlânticos, sendo capaz de fazer entre Nova York e Londres em apenas 3 horas e 15 minutos. Um avião tradicional faz este mesmo trajeto em 7 horas.”, informou o portal de notícias sobre empreendedorismo e startups.

 

A Inovação real dá lucro!

Dependendo da proposta comercial dessa nova versão de aeronave, teremos uma inovação de verdade. Isso porque o Concorde como invenção foi sensacional, porém como inovação, não podemos dizer o mesmo, durou por um tempo, mas sem ser economicamente e ambientalmente viável. O tempo dirá. Quando abordamos inovação, é preciso considerar (fortemente) o quesito tempo. A inovação nunca é previsível, muito menos linear.

 

 

O quesito inovação também traz reflexos positivos no valor de mercado, branding, e consequentemente na reputação, de acordo com pesquisa realizada pela Booz Allen & Hamilton.

As melhorias contínuas em processos (indústria e serviços) ou em materiais não são necessariamente inovações. Qualquer inovação real impacta significativamente na estrutura de preços (barateia de alguma forma), na participação de mercado (efeito Uber), e na receita da empresa, desbancando concorrentes indiretos. Chega para atender uma demanda ainda desconhecida. É consolidada como produto ou serviço inovador na hora em que as pessoas (massivamente) estão de verdade dispostas a pagar pela novidade.

A tecnologia não habilita a inovação

Ela é um dos elementos que promove a inovação, mas ter algo considerado ‘de ponta’ nesse processo não é primordial ou fundamental. É possível, sim, inovar até no ramo de fabricação de camisetas, alimentação ou agência de turismo – em todos os setores e nichos, mas é preciso usar (muita) criatividade e experimentação!

E atenção! Uma inovação real deve gerar valor e ter um propósito comercial bem estruturado. Em primeiro lugar deve atender a uma demanda prévia social e cultural mapeada ou em desenvolvimento. O papel do marketing de da comunicação nesse cenário torna-se fundamental. Quanto mais inovadora a proposta maior deverá ser o investimento em estratégia de marketing e comunicação com as personas alvo.

Sem o marketing ou a comunicação é muito mais difícil ver resultados, por isso é tão importante trabalhar com estratégias de aculturamento ou desenvolvimento de mercado. Nesses casos, o posicionamento tende sempre a ser bastante “diferente” ou até “estranho”, aos olhos da maioria. Especialmente se existe a DISRUPÇÃO em cena. Mas isso é papo para outro artigo.

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Vivian Lopes é fundadora da V.Content, assessoria de comunicação e marketing para empresas de tecnologia e startups. Trabalha ha 15 anos com comunicação empresarial e produção de conteúdo. Está participando de junho a outubro/17 do projeto do NAGI – Núcleo de Gestão da Inovação, oferecido pela incubadora Gênesis, da PUC Rio, com apoio da FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério de Ciência e Tecnologia.

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