Como aprendemos na pirâmide de Maslow, grande parte das necessidades humanas são materiais, mas nem todas. Assim, os números e cifrões seguem seu reinado mundo afora, e por isso, muitos profissionais e empresários (eu diria a maioria) ignora ou finge esquecer de buscar propósitos e sentido real na rotina profissional e carreira.

O problema é que essa falta de contato interno com o que nos move de verdade é extremamente improdutivo e gera muito insucesso, infelicidade e trabalho perdido, de uma maneira geral. É como tentar vender algo que você nunca compraria. Vou explicar.

Vivemos um momento especial que pede esse olhar interno para o que de fato nos move, nos faz levantar todas as manhãs. Não importa se você é empreendedor ou empregado. Os desafios são diários e chegam para todos. E tudo será mais leve e prazeroso se houver ligação com o tal do propósito – o tal do engajamento.

Na rotina diária, o “sofrimento” tende a ser menor quando existe aquele “match”, e a dedicação, o comprometimento vão às nuvens.

Entretanto, muita gente de 20, 30, 40, 50 (ou mais) ainda não tem clareza sobre isso. E tudo bem. O tempo não precisa ser igual para todos. Muito disso pode ser explicado pelo efeito manada que ainda vivemos, mas teve mais intensidade algumas décadas atrás.

Fugir dessa reflexão pode funcionar por um tempo, mas a carreira que não está bem embasada em propósito mais cedo ou mais tarde vai deixar de fazer sentido, geralmente depois de uma certa idade ou experiência impactante (como virar mãe/pai – ou uma demissão); porém você adiou algo inadiável, e a vida cobra.

Cedo ou tarde a questão “Que raios estou fazendo aqui e por que faço o que faço” retorna para te fazer refletir e buscar um link nessa maçaroca toda. Nós só conseguimos vender bem aquilo que acreditamos de verdade. Se estamos ‘vendidos’, entregue a determinado projeto, significa que iremos nos esforçar muito mais para atingir as metas – e de forma mais natural, com menor nível de stress!

Ou seja: o stress e a improdutividade são, geralmente, inversamente proporcionais ao nível de engajamento depositado em alguma atividade.

Tudo o que gostamos muito, ou nos atrai, tem uma razão lógica que vem antes. O segredo é olhar com atenção e carinho para esse ponto. E não é fácil.

Vamos analisar: Cada um de nós temos um conjunto único de talentos. Por exemplo, alguns se destacam na matemática, então os talentos ligados a engenharia e física estão mais desenvolvidos (e divertidas). Esses mencionados acima são aqueles conhecimentos super valorizados pela era industrial, anterior ao Google e ao machine learning ou big data, mas ainda são bem remunerados pelas empresas, por isso altamente estimulados, inclusive na educação infantil (por enquanto).

As habilidades exclusivamente humanas como comunicação interpessoal, criatividade, inovação, UX, empatia, entre outras, começam a ser valorizadas cada vez mais pelo mercado, e já deixam educadores mais tradicionais de cabelos em pé. Afinal, quase nenhum deles vem sendo ensinado sistematicamente nas escolas infantis – que continuam com o medíocre foco no vestibular.

Outro conjunto de talentos estão em franco aprimoramento, são aqueles ligados a programação e desenvolvimento de softwares. Pergunte a qualquer startup e elas responderão o quão árdua é a tarefa de contratar bons (e escassos) desenvolvedores nos dias de hoje.

E o que fazer com tudo isso?

Se gostamos e temos afinidade com determinado assunto é por existir um forte vínculo existencial e visceral entre você e o tema – mais de um, às vezes. Pois investigue e tente entender o por quê.

O poder dessa conexão ainda é muito subestimado pelos gestores. Quando existe essa conexão somos capazes de ir muito mais longe e conquistar muito além do que se não houvesse tal engajamento.

Quando focamos nos empreendedores, essa questão fica muito mais evidente no modelo de negócio escolhido e na proposta de valor da empresa.

Todo empreendedor deve buscar o motivo e a razão REAL de ter escolhido e estar fazendo o que faz diariamente.

Empreender é uma odisseia eterna, pede resiliência diária e o forte senso de propósito serve para (ajudar) a não deixar a peteca cair, ele minimiza as desistências e fracassos por esgotamento, além de ser forte diferencial competitivo.

Se há prazer e realização no que você faz, certamente há um propósito, e ter clareza sobre isso pode levar tempo, mas a busca vale muito a pena, e não tem preço.

Meu convite é: medite sinceramente e pense qual seria o link entre algo que você gosta muito e sua história. Sem deixar de ser você mesmo. Peça ajuda de profissionais capacitados para fazer as perguntas certas e vá em frente. Para o alto e avante!

Vivian Lopes é fundadora da V.Content, assessoria de comunicação e marketing com foco em inovação e engajamento. Trabalha há 15 anos com comunicação empresarial e produção de conteúdo. Está participando até outubro/17 do projeto do NAGI – Núcleo de Gestão da Inovação, oferecido pela incubadora Gênesis, da PUC Rio, com apoio da FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério de Ciência e Tecnologia.